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Acidente no Galeão: quando um Boeing 737 colidiu com um carro na pista

Introdução

Se tem uma coisa que todo apaixonado por aviação sabe é que os céus podem ser desafiadores, mas, às vezes, o perigo está bem no chão. O acidente no Galeão, foi um exemplo bem claro disso. O acidente aconteceu no Aeroporto do Galeão (SBGL), no Rio de Janeiro, no dia 12 de fevereiro de 2025.

Um Boeing 737-8 MAX da Gol (matrícula PS-GPP) se envolveu em um incidente gravíssimo durante a decolagem: um carro de manutenção estava na pista no exato momento em que a aeronave recebia autorização para decolar.

Sim, você leu certo: avião e carro na mesma pista, ao mesmo tempo. E o resultado foi uma colisão em solo, um exemplo clássico do que a aviação chama de “incursão em pista” – quando algo ou alguém entra em uma pista ativa de pouso ou decolagem sem autorização ou coordenação adequada.

Felizmente, ninguém morreu, mas os estragos e as lições são enormes.

O que aconteceu no voo da Gol no Galeão?

Acidente no galeão 2

O voo GOL1674 decolaria do Galeão rumo a Fortaleza, com 109 pessoas a bordo (103 passageiros e 6 tripulantes). Era madrugada, por volta de 01h08 UTC (22h08 locais). Tudo parecia dentro da normalidade: aeronave liberada para decolar pela pista 10, clima bom (CAVOK, visibilidade acima de 10 km).

O problema é que, ao mesmo tempo, um veículo de manutenção do balizamento noturno — basicamente os faróis e luzes da pista — tinha sido autorizado a entrar na mesma pista, para serviços rápidos. O carro, uma picape com giroflex, estava bem no meio da pista quando o Boeing acelerava seus motores para a decolagem.

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A aeronave atingiu velocidade de 156 nós (quase 290 km/h) quando os pilotos enxergaram o carro a apenas 185 metros de distância. Nesse momento, o Pilot Flying fez uma manobra brusca à direita nos pedais, evitando que o trem de pouso do nariz esmagasse o veículo.

O carro passou por baixo da fuselagem do 737, sendo atingido pelas carenagens inferiores e pela junção da asa esquerda com o corpo da aeronave. Resultado: o carro ficou destruído, dois ocupantes tiveram ferimentos leves, e a aeronave sofreu danos sérios em sistemas hidráulicos, de combustível e até no trem de pouso.

Fatores contribuintes – Por que o acidente no galeão aconteceu?

O Relatório Final do CENIPA (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) apontou uma cadeia de falhas humanas e organizacionais.

  1. Erro da torre de controle (TWR-GL):
    • O controlador responsável pela pista desbloqueou o sistema TATIC (que serve justamente para evitar conflitos de tráfego) antes da hora e autorizou a decolagem sem confirmar se a pista estava realmente livre.
    • O supervisor, que deveria acompanhar, estava distraído usando o celular no momento da autorização.
  2. Fatores visuais:
    • A torre do Galeão tinha problemas de ergonomia e pontos cegos causados por vegetação ao redor das taxiways M e N, dificultando a visão da pista, principalmente à noite.
  3. Clima organizacional:
    • Apesar de um bom ambiente de trabalho, havia relatos de que manutenções eram realizadas em horários críticos, aumentando a carga dos controladores.

Em resumo: um conjunto de distrações, falhas de procedimento e fatores estruturais resultou no que poderia ter sido uma tragédia.

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A sorte e a habilidade dos pilotos

Se há algo que merece destaque, é a reação da tripulação.
O Boeing já estava próximo da rotação (VR), quando os pilotos avistaram o carro. Em apenas meio segundo, desviaram para a direita, mantendo o avião dentro da pista. Essa decisão evitou o pior.

O relatório não deixa claro se a aeronave já havia passado da velocidade de decisão (V1), porém, de qualquer forma, o importante é que o resultado foi positivo.

O relatório mostra que, se o trem de pouso do nariz tivesse atingido a traseira do carro, provavelmente estaríamos falando de um desastre aéreo no Rio de Janeiro e não um acidente no galeão sem mortes.

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E os passageiros?

Para quem estava dentro do avião, a situação foi um susto imenso.
Apesar dos danos à aeronave, ninguém a bordo ficou ferido. A evacuação foi feita de forma calma e controlada, usando escada-plataforma e ônibus de apoio.

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Apenas uma passageira idosa relatou abalo emocional. Já os ocupantes do carro, como era esperado, tiveram ferimentos leves (um conseguiu pular antes do impacto, o outro ficou preso às ferragens).

Lições sobre segurança em aviação

O caso do acidente no Galeão reforça algo que os especialistas sempre dizem:

  • A aviação é extremamente segura porque cada erro gera mudanças no sistema.
  • Incursões em pista são uma das maiores ameaças globais à segurança de voo.

Nesse incidente, alguns pontos ficaram claros:

  • Sistemas como o TATIC precisam ser usados corretamente — não basta existir tecnologia, o humano precisa respeitar o procedimento.
  • Supervisão é crítica — distrações (como o uso do celular na torre) podem custar caro.
  • Infraestrutura importa — pontos cegos na torre precisam ser eliminados para dar visão total da pista.
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Conclusão

O incidente com o voo GOL1674 no Galeão será lembrado como um dos casos mais sérios de incursão em pista no Brasil nos últimos anos.
Apesar de ter sido classificado como “incidente grave”, este acidente no galeão carrega todos os ingredientes de um potencial acidente de grandes proporções.

Graças à reação rápida dos pilotos e a um pouco de sorte, não virou tragédia. Mas deixa uma lição clara: em aviação, não existe espaço para distração.

1. O que é uma incursão em pista?

É quando uma aeronave, veículo ou pessoa entra em uma pista ativa sem autorização ou coordenação adequada, podendo causar colisões.

2. O acidente no Galeão envolveu vítimas fatais?

Não. Houve apenas ferimentos leves em dois ocupantes do carro de manutenção.

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3. Qual avião estava envolvido no acidente?

Um Boeing 737-8 MAX da Gol Linhas Aéreas, matrícula PS-GPP.

4. O carro podia estar na pista naquele momento?

Ele tinha autorização para entrar, mas o erro foi da torre, que liberou a decolagem sem garantir que a pista estava livre.

5. Como os pilotos evitaram uma tragédia maior?

Eles desviaram bruscamente para a direita, evitando que o trem de pouso do nariz esmagasse o carro.

6. O que o relatório do CENIPA concluiu?

Que houve falhas de procedimento da torre, distração do supervisor e problemas estruturais (como pontos cegos e ergonomia da sala de controle).

7. Quais mudanças podem ser feitas para evitar novos casos?

Uso rigoroso de sistemas de proteção (como o TATIC), revisão de procedimentos de coordenação entre torre e veículos de solo e melhorias na infraestrutura do Galeão.

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