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Guia de Legendas do ROTAER

Introdução

O ROTAER (sigla para Publicação Auxiliar de Rotas Aéreas) é um manual brasileiro produzido pelo DECEA que contém informações fixas e detalhadas sobre aeródromos, como dimensões e iluminação das pistas, serviços disponíveis e frequências de rádio, sendo uma ferramenta essencial para pilotos no planejamento e na realização de voos, especialmente para aeronaves que operam segundo as regras de voo visual (VFR). 

Finalidade do ROTAER

  • Auxiliar no planejamento e execução de voos: 

Fornece informações úteis para a fase de planejamento do voo e para consultas durante a operação. 

  • Apresentar dados sobre aeródromos: 

Detalha características técnicas dos aeródromos para que os pilotos possam avaliar as condições operacionais. 

Informações contidas no ROTAER

  • Identificação do aeródromo: Nome, indicador de localidade e localização geográfica. 
  • Dados da pista: Dimensões, pavimento, resistência e iluminação das pistas. 
  • Características operacionais: Horários de operação (diurna/noturna), operações homologadas (VFR/IFR) e o circuito de tráfego. 
  • Serviços disponíveis: Informações sobre combustível, reparos, hangares. 
  • Comunicações: Frequências de rádio e navegação, e o número da sala AIS. 
  • Observações e restrições: Restrições específicas de cada localidade. 

Formato e distribuição

  • O ROTAER existe em versões física e digital, sendo a versão digital acessível através da internet e usada pelos pilotos em seus celulares. 
  • É atualizado de acordo com o calendário de publicações divulgado pelo DECEA. 

Para a gente prosseguir na explicação de cada parte do ROTAER, vamos colocar abaixo um exemplo.

O exemplo usado foi do Aeroporto de Guarulhos (SBGR). A consulta foi feita no dia 13/09/2025.

IMPORTANTE1: Não utilizar essas informações para o seu voo, porque as informações são atualizadas. Utilize as informações da AISWEB.

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IMPORTANTE2: Todas as informações foram com colidas também da AISWEB. Lá existem mais informações ainda sobre o assunto.

EXEMPLO

ROTAER 1

Agora vamos com calma, destrinchar cada parte.


ROTAER A
  1. Nome da instalação – As siglas FIR, TMA ou Aeródromo, nesta ordem, sendo os nomes dos aeródromos listados em ordem alfabética dentro do ROTAER completo
  2. Indicador de Localidade da FIR, da TMA ou do Aeródromo.
  3. Nome da Região de Informação de Voo (FIR), da Área de Controle Terminal (TMA) ou do município ou cidade servida pelo aeródromo.
  4. Unidade da Federação onde está situado o aeródromo.

ROTAER B
  1. Tipo de aeródromo – AD para aeródromo, HELPN para heliponto ou HD para helideck.
  2. Categoria do aeródromo
    • INTL – Internacional: aeródromo usado obrigatoriamente por aeronaves civis nacionais e estrangeiras, com primeira escala por ocasião da entrada e como última por ocasião da saída do território brasileiro.
    • INTL/ALTN – Alternativa Internacional: aeródromo usado por aeronaves civis nacionais e estrangeiras.
  3. Utilização do aeródromo
    • MIL – Militar: aeródromo destinado, a princípio, ao uso de aeronaves militares.
    • PRIV – Privado: aeródromo civil, construído em área de propriedade privada, para uso de seu proprietário, cuja exploração comercial é vedada, só podendo ser utilizado com sua permissão.
    • PRIV/PUB – Aeródromo privado aberto ao tráfego público.
    • PUB – Público: aeródromo civil, destinado ao tráfego de aeronaves em geral.
    • PUB/MIL – Aeródromo público que possui instalações militares do Comando da Aeronáutica.
    • PUB/REST – Público Restrito: aeródromo civil, construído em área de propriedade pública, de uso reservado ao órgão público que o tem sob sua jurisdição, cuja exploração comercial é vedada, só podendo ser utilizado com autorização do respectivo órgão público.
  4. Administrador do Aeródromo – A autoridade responsável pela administração do aeródromo e pelo adequado funcionamento da área de manobras. A inexistência de qualquer indicação significa que o aeródromo ou heliponto é administrado pela prefeitura municipal. Este item aplica-se apenas aos aeródromos e helipontos públicos.
  5. Distância e direção da cidade ao aeródromo – A distância é indicada em quilômetros e a direção pelos pontos da rosa-dos-ventos a partir de um ponto proeminente no centro da cidade. Distâncias inferiores a 1 Km serão indicadas pelo algarismo zero.
  6. Fuso horário – O número indicado deve ser subtraído da hora UTC para se obter a hora legal.
  7. Tipo de operação
    • VFR IFR – Operação VFR DIURNA e NOTURNA e IFR DIURNA e NOTURNA;
    • IFR – Operação VFR DIURNA e IFR DIURNA e NOTURNA;
    • IFR DIURNA – Operação VFR DIURNA e IFR DIURNA;
    • VFR IFR DIURNA – Operação VFR DIURNA e NOTURNA e IFR DIURNA; e
    • VFR – Operação VFR DIURNA e NOTURNA.
  8. Luzes
    • L1 – MALS (Sistema de luzes de aproximação de intensidade média, sem flash).
    • L2 – MALSF (Sistema de luzes para aproximação de intensidade média com flash).
    • L2A – MALSR (Sistema de luzes para aproximação de intensidade média com luzes indicadoras de alinhamento de pista.)
    • L3 – ALS (Sistema de luzes de aproximação sem flash).
    • L4 – ALSF-1 (ALS Categoria I, com flash).
    • L5 – ALSF-2 (ALS Categoria II, com flash).
    • L6 – VASIS (Sistema indicador de rampa de aproximação visual) de 2 barras e rampa de 3°. Quando diferente de 3°, o ângulo de rampa aparecerá entre parênteses, após a indicação L6.
    • L7 – VASIS de 3 barras (duas rampas de aproximação). Os ângulos da 1ª e 2ª rampas aparecerão entre parênteses, após a indicação L7.
    • L8 – AVASIS (VASIS de duas barras com n° reduzido de caixas). Quando diferente de 3°, o ângulo de rampa aparecerá entre parênteses, após a indicação L8.
    • L9 – PAPI (Sistema indicador de rampa de aproximação de precisão), com rampa normal de 3°. Quando diferente de 3°, o ângulo de rampa aparecerá entre parênteses, após a indicação L9.
    • L9A – APAPI (Sistema indicador de rampa de aproximação de precisão simplificada)
    • L10 – REIL (Luzes indicadoras de cabeceira de pista).
    • L11 – Luzes de zona de contato.
    • L11A – Luzes de zona de contato de alta intensidade.
    • L12 – Luzes de cabeceira (verde no início e vermelha no fim da pista).
    • L12A – Luzes de cabeceira de alta intensidade (verde no início e vermelha no fim da pista).
    • L13 – Luzes intermitentes de direção de pista.
    • L14 – Luzes ao longo das laterais da pista, de 60 em 60 metros.
    • L14A – Luzes ao longo das laterais da pista de alta intensidade, de 60 em 60 metros.
    • L15 – Luzes (azuis) de pista de táxi, indicando sua trajetória.
    • L16 – Refletores na cabeceira da pista, indicando sua localização.
    • L17 – Placas refletoras instaladas ao lado das luzes laterais e de fim-de-pista, que refletem a luz dos faróis de pouso.
    • L18 – Balizamento de emergência (lampiões colocados ao longo das laterais da pista de 60 em 60 metros).
    • L19 – Luzes de eixo-de-pista.
    • L19A – Luzes de eixo de pista de alta intensidade.
    • L20 – Luzes de eixo-de-pista-de-táxi para saída à grande velocidade.
    • L20A – Luzes de eixo-de-pista-de-táxi para saída à grande velocidade, de alta intensidade.
    • L21 – Farol rotativo de aeródromo.
    • L22 – Farol de identificação de aeródromo.
    • L23 – Luzes de obstáculo.
    • L24 – Farol de perigo.
    • L25 – Luzes de contorno de área de aeródromo.
    • L26 – Indicador de direção de vento iluminado.
    • L27 – Luzes de Barra de Parada
    • L30 – Luzes de limite de área de pouso de helipontos.
    • L31 – Sinal luminoso de identificação de heliponto.
    • L32 – Faróis de heliponto.
    • L33 – Luzes indicadoras de direção de aproximação de heliponto.
    • L34 – Luzes indicadoras de área de toque quadradas de heliponto
    • L35 – Luzes indicadoras do ângulo de direção do heliponto.

ROTAER C
  1. Designativos das cabeceiras da pista – Corresponde às dezenas do rumo magnético da pista, arredondada para a dezena mais próxima. No caso dos helipontos, corresponde aos rumos das áreas de aproximação.
  2. Dimensões da pista – em metros
  3. Tipos de piso de pista
AÇO – AçoCIN – CinzaMTAL – Metálico
ARE – AreiaCONC – ConcretoPAR – Paralelepípedo
ARG – ArgilaGRASS – GramaPIÇ – Piçarra
ASPH – Asfalto ou Conc. AsfálticoGRVL – CascalhoSAI – Saibro
BAR – BarroMAC – MacadameSIL – Sílica
TIJ – TijoloMAD – MadeiraTER – Terra

4. Resistência do piso da pista – A resistência do piso dos aeródromos destinados a aeronaves com peso até 5.700 Kg (12.500lb) é notificada através do peso máximo admissível (peso máximo de decolagem) da aeronave e da pressão máxima admissível dos pneus da aeronave.

Exemplo: 4000 Kg/0.50 MPa.

  • A resistência do piso dos aeródromos destinados a aeronaves com peso superior a 5.700 Kg (12.500lb) será notificada pelo método do Número de Classificação de Aeronaves – Número de Classificação de Pavimentos (ACN – PCN).
    • Exemplo: 78a) /Rb) /Ac)/Wd) /Te)
  • 16-1. ACN (Número de Classificação de Aeronaves). É um número que exprime o efeito relativo de uma aeronave sobre um pavimento, para determinada resistência.
  • 16-2. PCN (Número de Classificação do Pavimento). É um número que indica a resistência de um pavimento para operações sem restrições.
  • 16-3. ACR (Número de Classificação de Aeronaves). É um número que exprime o efeito relativo de uma aeronave sobre um pavimento, para determinada resistência.
  • 16-4. PCR (Número de Classificação do Pavimento). É um número que indica a resistência de um pavimento para operações sem restrições.

OBS: A resistência do piso dos helipontos é apresentada no ROTAER simplesmente com o peso em toneladas.

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O PCN notificado indica que as aeronaves com ACN igual ou inferior ao PCN, podem operar sem restrições sobre o pavimento, obedecidas as limitações relativas à pressão dos pneus.

Poderão ser autorizadas operações de aeronaves com ACN igual ou superior ao PCN notificado para pavimento desde que obedecidos os critérios estabelecidos no RBAC 153 Aeródromos – operação, manutenção e resposta à emergência.

Notificam-se as seguintes informações: número de classificação do pavimento (PCN);tipo do pavimento para determinar o valor ACN – PCN; resistência do subleito; pressão máxima admissível dos pneus; e método de avaliação.

A informação sobre o tipo de piso para determinar o ACN -PCN, será divulgada utilizando-se as classes seguintes: número de classificação do pavimento (PCN); tipo de pavimento: R – rígido / F – flexível resistência do subleito: A – resistência alta / B – resistência média / C – resistência baixa / D – resistência ultra-baixa / pressão máxima admissível dos pneus: W – ilimitada (sem limite de pressão)X – alta (pressão limitada a 1,75MPa)Y – média (pressão limitada a 1,25MPa)Z – baixa (pressão limitada a 0,50MPa)método de avaliação: T – técnica: Consiste no estudo específico das características do pavimento e na aplicação da tecnologia do comportamento dos pavimentos. U – prática: Consiste na utilização do conhecimento do tipo e peso de aeronaves que, em condições normais de emprego, o pavimento resiste satisfatoriamente.

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Exemplo: Notificação publicada: 80/R/B/W/T

Interpretação: Resistência do piso: 80 / Tipo de piso: rígido / Resistência do subleito: média / Pressão máxima dos pneus: sem limite de pressão.


COM –TORRE GUARULHOS [5] [8] 118.400 121.500 [2] 132.750 135.200 SOLO GUARULHOS [8] 121.700 126.900 OPERAÇÕES GUARULHOS 122.500 TRÁFEGO GUARULHOS [8] 121.000 ATIS [6] [8] 127.750
  1. Comunicações – todas as frequências importantes são reportadas no ROTAER. Cada número dentro dos [ ] significa que mais abaixo vai ser explicado sobre telefone para entrar em contato e horário de funcionamento.

RDONAV –ILS/DME 28L IBC 111.1 2326.38S/04629.41W ILS/DME 10R IGH 111.7 2325.82S/04627.33W ILS/DME 28R IGS 111.9 2326.13S/04629.29W ILS/DME 10L IUC 110.7 2325.41S/04626.60W IM IGH 75 2326.38S/04629.41W OM IGH 75 2327.71S/04634.41W IM IBC 75 2325.82S/04627.33W IM IGS 75 2325.43S/04626.72W MM IGS 75 2325.37S/04626.45W IM 10L IUC 75 2326.10S/04629.17W MM IUC 75 2326.18S/04629.47W  
  1. Auxílios de Navegação – Todos os auxílios disponíveis e suas coordenadas.

CMB– TFSER– S1RFFS– CAT CIVIL – 10RFFS– CAT MIL – 9
  1. Combustível – Indica a existência de combustível comerciável no aeródromo. Quando houver a indicação da letra “m” no ROTAER, entre parênteses, significa que é para uso exclusivo de aeronaves militares. Expressos por:
    • PF – Combustível para aeronaves à explosão (gasolina tipo 100/130 octanas). Quando houver, também, gasolina com octanagem diferente de 100/130, esta será especificada entre parênteses.TF – Combustível para aeronaves de motor à reação (querosene de aviação).
  2. Serviços – Indica a existência de hangares e oficinas disponíveis para terceiros, de acordo com a codificação abaixo:
    • S1 – Hangar
    • S2 – Hangar e pequenos reparos em aeronaves
    • S3 – Hangar e pequenos reparos em aeronaves e motores
    • S4 – Hangar e grandes reparos em aeronaves; e pequenos reparos em motores
    • S5 – Hangar e grandes reparos em aeronaves e motores
  3. Categoria Requerida de Aeródromo – RFFS CAT CIVIL – A Categoria de uma aeronave é obtida a partir da Avaliação do seu comprimento total e da largura máxima da sua fuselagem:
COMPRIMENTO TOTAL DA AERONAVE (m)LARGURA MÁXIMA DA FUSELAGEM (m)CATEGORIA DA AERONAVE
(1)(2)(3)
De 0 a 9 exclusive21
De 9 a 12 exclusive22
De 12 a 18 exclusive33
De 18 a 24 exclusive44
De 24 a 28 exclusive45
De 28 a 39 exclusive56
De 39 a 49 exclusive57
De 49 a 61 exclusive78
De 61 a 76 exclusive79
De 76 a 90 exclusive810
  • AÉRODROMOS EXCLUSIVAMENTE MILITARES – Nos aeródromos exclusivamente militares, a categoria requerida será determinada considerando, também, as peculiaridades da atividade aérea ali existente, dentre as quais: o emprego operacional das aeronaves militares, os centros de formação e adestramento, as atividades espaciais etc.
  • MET – Informações meteorológicas
  • AIS – Serviço de Informação Aeronáutica (Aeronautical Information Service).

Conclusão

Na verdade tem algumas informações no ROTAER que podem aparecer a mais em determinados aeroportos.

Sempre antes de preencher seu plano de voo, consulte o ROTAER antes, bem como NOTAM e INFOTEMP, e se alguma informação diferente aparecer e você não tiver achado aqui, procure na AISWEB.

Nunca decole com dúvida de alguma informação. Pode ser importante!

1. O que é o ROTAER e para que serve?

O ROTAER é a Publicação Auxiliar de Rotas Aéreas, um manual produzido pelo DECEA que reúne informações fixas e detalhadas sobre aeródromos no Brasil. Ele auxilia pilotos no planejamento e na execução dos voos, principalmente em operações VFR.

2. Quem é responsável pela publicação do ROTAER?

O ROTAER é produzido e atualizado pelo DECEA (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), órgão da Força Aérea Brasileira.

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3. Que tipo de informações encontro no ROTAER?

O documento traz dados sobre pistas (dimensões, resistência e iluminação), frequências de rádio, auxílios à navegação, horários de operação, serviços disponíveis (combustível, hangares, reparos) e restrições específicas de cada localidade.

4. O ROTAER é usado somente para voos VFR?

Não. Embora seja essencial para voos VFR, o ROTAER também traz informações importantes para operações IFR, como frequências de rádio, auxílios de navegação e detalhes de pistas homologadas.

5. As informações do ROTAER nunca mudam?

Mudam, sim. O ROTAER é atualizado periodicamente conforme o ciclo AIRAC e pode sofrer alterações. Por isso, é fundamental sempre checar a versão mais recente na AISWEB.

6. Como identificar um aeródromo no ROTAER?

Cada aeródromo aparece com seu indicador ICAO (como SBGR para Guarulhos), seguido do nome oficial, localização, categoria (público, privado, militar ou misto) e dados operacionais.

7. Onde acessar o ROTAER atualizado?

A versão digital está disponível gratuitamente na AISWEB (www.aisweb.decea.mil.br), o portal oficial do DECEA para informações aeronáuticas.

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