Conteúdo
- 1 Introdução
- 2 O que é um Plano de Voo?
- 3 Tipos de Plano de Voo
- 4 Benefícios de preencher corretamente o Plano de Voo
- 5 Como preencher um plano de voo passo a passo
- 5.1 1. Escolha o tipo de plano adequado
- 5.2 2. Defina o meio de apresentação
- 5.3 3. Preencha o formulário completo com atenção
- 5.3.1 Item 7: Identificação da Aeronave
- 5.3.2 Item 8: Regras e tipo de voo
- 5.3.3 Item 9: Número e tipo de aeronaves e categoria da esteira de turbulência
- 5.3.4 Item 10: Equipamentos e capacidades
- 5.3.5 Item 13: Aeródromo de partida e horário
- 5.3.6 Item 15: Rota
- 5.3.7 Item 16: Destino, tempo de voo, alternativo
- 5.3.8 Item 18: Observações complementares
- 5.3.9 Item 19: Dados de emergência
- 5.4 4. Cumpra os prazos de apresentação
- 6 Quem pode apresentar um plano de voo?
- 7 O que acontece se o plano de voo for mal preenchido?
- 8 Dicas práticas para preencher o plano com excelência
- 9 Exemplos práticos de planos preenchidos
- 10 Conclusão
- 11 Clique aqui para baixar as legislações atualizadas, pesquisando por ICA 100-11 e MCA 100-11
- 12 Perguntas frequentes sobre Como Preencher um Plano de Voo
- 12.1 Quando é obrigatório apresentar um plano de voo?
- 12.2 Posso apresentar plano de voo pela internet?
- 12.3 Qual a validade de um plano de voo apresentado?
- 12.4 Posso alterar um plano de voo já apresentado?
- 12.5 O que fazer se eu decolar de um local sem ATS?
- 12.6 Quais são os principais erros ao preencher um plano de voo?
Introdução
Saber como preencher um plano de voo é fundamental para garantir a segurança e a eficiência de qualquer operação aérea. Esse documento formal informa os órgãos de controle de tráfego aéreo sobre os dados essenciais do voo, permitindo um acompanhamento efetivo e suporte em situações emergenciais. Além de ser uma exigência legal em várias condições, o correto preenchimento reduz riscos, melhora a comunicação com os órgãos ATS (Air Traffic Services) e otimiza o fluxo aéreo, que é controlado pelo CGNA (Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea).
A apresentação correta do plano de voo é indispensável em diversas situações, especialmente em operações IFR, voos em espaço aéreo controlado, ou que cruzam regiões sensíveis utilizadas pela Defesa Aérea. Portanto, dominar esse processo não é apenas uma formalidade, mas um requisito essencial de segurança operacional e legal.
Neste guia completo, você aprenderá passo a passo como preencher um plano de voo, conforme as diretrizes oficiais da Força Aérea Brasileira (ICA 100-11 e MCA 100-11), com exemplos práticos, explicações detalhadas e dicas profissionais.
O que é um Plano de Voo?
O plano de voo é um documento que contém informações detalhadas sobre um voo planejado, como origem, destino, rota, altitudes, velocidade, autonomia, entre outros dados. Ele é apresentado aos órgãos de tráfego aéreo para fins de controle, alerta, busca e salvamento, e é essencial tanto em operações VFR (Visual Flight Rules) quanto IFR (Instrument Flight Rules), conforme a legislação vigente.
O preenchimento correto do plano de voo é fundamental para que os serviços de tráfego aéreo possam prestar o apoio necessário em todas as fases do voo, inclusive em casos de emergência, perda de comunicação, ou atrasos.
Tipos de Plano de Voo
Existem três tipos principais de plano de voo:
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Plano de Voo Completo (PVC): utilizado na maioria dos voo e necessário em espaço aéreo controlado, principalmente quando há mudanças de áreas de controle do espaço aéreo.
Plano de Voo Simplificado (PVS): adequado para voos locais, principalmente VFR.
Plano de Voo Repetitivo (RPL): destinado a voos frequentes e regulares, com características idênticas, geralmente apresentados por empresas aéreas.
Cada tipo possui critérios específicos de aplicação, formas de apresentação e procedimentos de atualização e cancelamento.
Neste post, vamos focar no Plano de Voo Completo.
Benefícios de preencher corretamente o Plano de Voo
Aprender como preencher um plano de voo corretamente traz diversos benefícios operacionais, legais e de segurança:
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1. Segurança operacional
Permite que os órgãos ATS acompanhem a trajetória da aeronave e prestem auxílio imediato em caso de desvios, emergências ou falhas de comunicação.
2. Cumprimento da legislação
A apresentação do plano de voo é obrigatória em diversas situações conforme a ICA 100-11. Não cumprir essa exigência pode resultar em sanções administrativas e até na suspensão da operação.
3. Otimização do tráfego aéreo
Com um plano de voo bem preenchido, os centros de controle podem organizar melhor o fluxo aéreo, reduzindo riscos de conflitos de tráfego e otimizando os slots disponíveis.
4. Apoio ao SAR (Busca e Salvamento)
Em caso de pane, desorientação ou desaparecimento da aeronave, o plano de voo fornece informações vitais para a atuação imediata das equipes de resgate.
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5. Melhoria da performance operacional
Planejar o voo com base em dados reais como rotas otimizadas, combustível estimado, nível de cruzeiro ideal e alternativos disponíveis permite voos mais econômicos e seguros.
Como preencher um plano de voo passo a passo
1. Escolha o tipo de plano adequado
Completo: voos IFR, voos com mais de 27 NM de distância, ou voos em espaço controlado.
Simplificado: voos locais com baixa complexidade e que não exigem navegação por instrumentos.
Repetitivo: usado por operadores que realizam voos regulares com mesmas rotas e características.
2. Defina o meio de apresentação
Presencialmente: em uma Sala AIS do aeroporto. Porém, no Brasil está cada vez mais raro. Veja o que o DECEA tem realizado com as AIS.
Online: via sistema eletrônico (SARPAS, eFPL), acessível apenas a usuários credenciados. Este tem sido o modo mais estimulado pela FAB.
Telefone ou Fax: permitido em casos específicos.
AFIL (Filed In Flight): usado quando o plano é apresentado em voo, via rádio. Usado somente quando, em Espaço Aéreo Classe G, não houver uma forma de passar um plano de voo prévio.

3. Preencha o formulário completo com atenção
Os espaços anteriores ao item 7 são exclusivos dos Órgãos AIS e ATS.

Utilize a matrícula ou designador ICAO + número do voo. – Ex: PR-ABC ou GLO1234
* Neste local pode ser colocado o seu Código de chamada. Caso faça isso, será necessário colocar o registro (REG/) no Campo 18.
Item 8: Regras e tipo de voo
Regras: I (IFR), V (VFR), Y* (IFR para VFR), Z* (VFR para IFR)
*Quando houver mudanças (Y e Z) é preciso colocar um ponto de mudança de regra.
Tipo: G (geral), S (regular), N (não regular), M (militar), X (outros)
Tipo de aeronave (ex: C172, B738)
Esteira: L (leve), M (média), H (pesada), J (super)
L – Peso máximo de decolagem menor que 7000kg.
M – Peso máximo de decolagem maior que 7000kg e menor que 136.000kg.
H – Peso máximo de decolagem maior que 136.000kg.
J – Tipo especificado conforme Doc. 8643 da ICAO.
NOTA: O Documento. 8643 (Aircraft Type Designators) da ICAO está disponível CLICANDO AQUI.
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Item 10: Equipamentos e capacidades
Ex: SDFGHIRVZ (conforme equipamentos de navegação e comunicação)
N – se a aeronave não tiver equipamentos de radiocomunicações, de auxílio à navegação e à aproximação exigidos para a rota considerada ou se estiver ruim.
S – se a aeronave tiver equipamentos padronizados de radiocomunicações, de auxílios à navegação e à aproximação exigidos, que são VHF RTF, VOR e ILS.
Quando for usada a letra G, é preciso definir quais são os tipos de GNSS no campo 18, depois do indicador NAV/.
Quando for usada a letra R, vai ser preciso definir os níveis de PBN (Navegação Baseada em Performance) que a aeronave é homologada, após o indicador PBN/.
A tabela de equipamentos é a seguinte:

Equipamento SSR nos Modos A e C
A – transponder Modo A (4 dígitos – 4096 códigos);
C – transponder Modo A (4 dígitos – 4096 códigos) e Modo C. 2.2.4.3.3
Equipamento SSR em Modo S
E – transponder Modo S, compreendendo a identificação da aeronave, a altitude pressão e a capacidade dos sinais espontâneos ampliados (ADS-B);
H – transponder Modo S, compreendendo a identificação da aeronave, a altitude pressão e a capacidade de vigilância melhorada;
I – transponder Modo S, com a identificação da ACFT, porém sem a capacidade de altitude pressão;
L – transponder Modo S, compreendendo a identificação da aeronave, a altitude pressão, a capacidade dos sinais espontâneos ampliados (ADS-B) e a capacidade de vigilância melhorada;
P – transponder Modo S, com a altitude pressão, porém sem a capacidade de identificação da ACFT;
S – transponder Modo S, com a altitude pressão e a capacidade de identificação da ACFT; ou
X – transponder Modo
Equipamentos ADS-B
B1 – ADS-B com capacidade especializada ADS-B “out” de 1090 MHz;
B2 – ADS-B com capacidade especializada ADS-B “out” e “in” de 1090 MHz;
U2 – Capacidade ADS-B “out” e “in” usando UAT;
V1 – Capacidade ADS-B “out” usando VDL, em modo 4; ou
V2 – Capacidade ADS-B “out” e “in” usando VDL, em modo 4.
Equipamentos ADS-C
D1 – ADS-C com capacidades FANS 1/A; ou
G1 – ADS-C com capacidades ATN.
Item 13: Aeródromo de partida e horário
Ex: SBSP 1300 (Congonhas, 13h00 UTC)

Item 15: Rota
Informar velocidade, nível de voo, a rota prevista, incluindo pontos, aerovias e mudanças de nível.
Ex: N0250 FL210 DCT LAP UW10 UZ38 CNF
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**Lembre-se da regra NEI-SOPA. Norte – Este é ímpar e Sul-Oeste é par.
Veja mais sobre os níveis CLICANDO AQUI.
E se a gente precisar colocar um ponto de transição?
Nessa caso é necessário colocar o ponto em que irá ocorrer a mudança, acrescido da velocidade e nível, e depois a mudança de regra de voo, caso haja.
Por exemplo: G677 MSS/N0430F260 MSS342003 GIGAT
Item 16: Destino, tempo de voo, alternativo
Ex: SBRJ 0145 SBSP
Item 18: Observações complementares
Neste campo devemos colocar quaisquer informações complementares.
Algumas informações já possuem designativos específicos, como STS/, PBN/, NAV/ e etc.
Qualquer informação escrita diretamente, deve-se usar o RMK/.
Ex: RMK/EVACUACAO AEROMEDICA

Item 19: Dados de emergência
Pessoas a bordo (POB), autonomia, cor da aeronave, ELT, etc.

4. Cumpra os prazos de apresentação
Antecedência mínima:
45 min antes da EOBT (presencialmente)
30 min antes via internet
Validade: até 45 minutos após a EOBT
Cancelamento e alterações:
DLA: mensagem de atraso (só pode utilizar dentro de 35 minutos, ou seja, 10 minutos antes do vencimento)
CHG: modificação
CNL: cancelamento
Quem pode apresentar um plano de voo?
Conforme a ICA 100-11, somente podem apresentar plano de voo:
Piloto em comando
Despachante operacional de voo (DOV)
Representante autorizado pela empresa (para RPL)
Elemento credenciado pelo DECEA (via internet)
Essas pessoas são legalmente responsáveis pelas informações prestadas e devem garantir que todos os dados estejam corretos, atualizados e em conformidade com a regulamentação.
O que acontece se o plano de voo for mal preenchido?
Erros no preenchimento podem comprometer a segurança do voo e gerar consequências sérias:
Rejeição do plano: dados inconsistentes, rota mal definida ou uso incorreto de siglas.
Atrasos na liberação: necessidade de correção e nova análise.
Dificuldade de rastreamento: em caso de emergência, os órgãos SAR podem perder tempo precioso.
Acionamento desnecessário do SAR: quando o plano está ativo, mas a decolagem não ocorre. Acontece também quando há perda radar e de comunicação e o tempo de autonomia foi superado.
Sanções: advertências, multas ou suspensão da operação.
Dicas práticas para preencher o plano com excelência
Sempre utilize dados atualizados do ROTAER e NOTAMs.
Confirme os horários em UTC (Z), inclusive a EOBT.
Tenha uma cópia do plano consigo a bordo.
Revise todas as siglas, códigos e abreviaturas.
Consulte o manual MCA 100-11 para cada item do formulário.
Exemplos práticos de planos preenchidos
Exemplo – Voo IFR – Plano de Voo Completo
Identificação: TST1882
Regra: I – Tipo de voo: G – Tipo de aeronave: E450- Esteira: M
Radio e Auxílios: SDEFGHJRUW/S
Origem: SBRJ (Santos Dumont) – Hora: 1200
Destino: SBGR (Guarulhos) – EET(Tempo estimado de voo): 0030 – ALTN: SBKP
Velocidade: N0430 – Nível: F260
Rota: DCT SIDUR UZ10 EDMUS DCT
POB: 20
Autonomia: 03:30
Conclusão
Saber como preencher um plano de voo é uma competência essencial para pilotos, operadores e qualquer profissional da aviação. Este guia reuniu as principais regras da ICA 100-11 e as instruções detalhadas do MCA 100-11 para facilitar esse processo.
Ao compreender e aplicar corretamente cada item do plano, você estará contribuindo diretamente para a segurança da operação, para o cumprimento das normas vigentes e para a eficiência do sistema de tráfego aéreo.
Revise, valide e esteja sempre em conformidade. Em caso de dúvida, consulte a Sala AIS mais próxima ou profissionais habilitados.
Clique aqui para baixar as legislações atualizadas, pesquisando por ICA 100-11 e MCA 100-11
Perguntas frequentes sobre Como Preencher um Plano de Voo
Quando é obrigatório apresentar um plano de voo?
Sempre que o voo for IFR, ocorrer em espaço aéreo controlado, decolar ou pousar em aeródromos com ATS, ou atravessar zonas especiais como zonas de Defesa Aérea.
Posso apresentar plano de voo pela internet?
Sim, desde que você seja um usuário credenciado junto ao DECEA. O sistema exige login, senha e conformidade com os padrões estabelecidos. O APP FPL é o meio disponibilizado e incentivado pelo DECEA.
Qual a validade de um plano de voo apresentado?
É válido por até 45 minutos após a EOBT. Após esse período, é necessário apresentar novo plano. Para não perder um plano de voo, antes de completar 35 minutos após o EOBT, passe uma DLA.
Posso alterar um plano de voo já apresentado?
Sim, usando mensagens específicas: CHG (modificação), DLA (atraso) ou CNL (cancelamento), antes da autorização ATC.
O que fazer se eu decolar de um local sem ATS?
Você deve informar o horário real de decolagem ao primeiro órgão ATS com quem fizer contato, garantindo a ativação do serviço de alerta.
Quais são os principais erros ao preencher um plano de voo?
Dados incompletos, erros de horário, uso incorreto de abreviaturas, omissão de alternativos e rotas incompatíveis com a navegação.


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