Conteúdo
- 1 Introdução
- 2 Por que planejar para a perda de GNSS?
- 3 O que é a MON (Minimum Operational Network) no Brasil?
- 4 Componentes técnicos: RNAV sem GNSS, DME/DME e DME/DME/IRU
- 5 Como a MON se aplica nas fases do voo
- 6 Quem faz o quê: papéis e coordenação
- 7 Procedimentos operacionais quando o GNSS falhar
- 8 Inspeção em voo: como o Brasil garante que DME/DME sustenta RNAV 1/5
- 9 DME/DME na prática: pontos de atenção para operadores e tripulações
- 10 Vetoração radar tática: onde DME/DME não fecha a conta
- 11 NOTAMs em cenário de interferência GNSS: como ficam as publicações
- 12 Treinamento e cultura operacional: o elo que fecha a MON
- 13 Checklist prático para o operador (CNS/ATM, engenharia e manutenção)
- 14 Impacto para o planejamento de voo e despacho operacional
- 15 O que cada público deve fazer
- 16 Conclusão: MON não é “voltar ao passado” — é avançar com resiliência
- 17 Perguntas frequentes (FAQ) sobre a navegação aérea DME/DME e a preparação do Brasil para operar sem GNSS:
- 17.1 1. O que é a MON (Minimum Operational Network) e por que ela é importante para a aviação no Brasil?
- 17.2 2. Quais são os principais auxílios terrestres que fazem parte da MON no Brasil?
- 17.3 3. Como funciona a navegação DME/DME sem o GNSS?
- 17.4 4. O que é RNAV e como ele pode ser utilizado sem GNSS?
- 17.5 5. Quais são os desafios na implementação da MON no Brasil?
- 17.6 6. Como a MON afeta as operações de voo no Brasil?
- 17.7 7. Quais são as responsabilidades dos pilotos em cenários de falha do GNSS?
- 17.8 8. Como o Brasil garante que os procedimentos RNAV DME/DME são seguros e eficientes?
- 17.9 9. O que acontece quando há uma falha do GNSS durante o voo?
- 17.10 10. Como a MON contribui para a resiliência do sistema de navegação aérea no Brasil?
Introdução
A aviação mundial acelerou a adoção de PBN (Performance-Based Navigation) nos últimos 20 anos, com procedimentos RNAV e RNP apoiados por GNSS (como GPS). O ganho em eficiência, previsibilidade e segurança é inquestionável. Mas e quando o GNSS falha — por jamming, spoofing ou fenômenos naturais? Como fica a navegação aérea quando a fonte primária de posicionamento e tempo fica degradada ou indisponível em uma região inteira?
No Brasil, a resposta estratégica vem na forma da Rede Operacional Mínima (MON): um conjunto mínimo de auxílios-rádio baseados em solo (com destaque para DME/DME, DME/DME/IRU, VOR/DME e ILS) e respectivos procedimentos de voo que sustentam as operações em rota, chegadas, saídas e aproximações quando o GNSS está comprometido. O PCA 100-5-2025 aprovou o Plano de Implementação dessa rede e detalhou papéis, critérios técnicos, prazos e exemplos operacionais.
Este artigo faz uma leitura prática desses documentos oficiais — PCA 100-5-2025 (PLANO DE IMPLEMENTAÇÃO DA REDE OPERACIONAL MÍNIMA (MON) EM RESPOSTA À FALHA DO GNSS) e CIRCEA 121-10 (inspeção em voo de RNAV DME/DME e DME/DME/IRU) — para compor um guia robusto voltado a pilotos, despachantes, operadores de empresas aéreas, engenheiros de CNS/ATM e gestores de operações.
Ao longo do texto, integramos os termos-chave gnss, dme/dme, rnav, rnp, gps, navegação aérea para uma visão atual e otimizada para SEO, sem abrir mão da precisão técnica.
Por que planejar para a perda de GNSS?

A dependência do GNSS cresceu tanto que, hoje, ele sustenta não apenas a navegação aérea (RNAV/RNP), mas também sistemas críticos como ADS-B, EGPWS/TAWS e CPDLC, que se beneficiam da sincronização temporal e da precisão de posição. A literatura recente da OACI e de provedores de serviços de navegação alerta para interferências de radiofrequência (RFI) — jamming e spoofing — e eventos como tempestades ionosféricas.
O PCA 100-5-2025 reconhece esse contexto, destaca as resoluções internacionais e fixa diretrizes nacionais para garantir continuidade operacional e segurança em cenários de degradação de GNSS.
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Tradução prática: no dia em que o GPS (ou outro componente do GNSS) ficar instável, você ainda decola, navega e pousa — porém com auxílio terrestre, com separações e capacidades ajustadas, sob coordenação tática dos órgãos ATS, usando procedimentos convencionais e RNAV baseados em DME/DME (com IRU quando aplicável).
O que é a MON (Minimum Operational Network) no Brasil?
A MON é a “linha de defesa” para manter operações seguras sem GNSS. Ela combina:
- Auxílios terrestres: DME/DME, DME/DME/IRU, VOR/DME e ILS;
- Procedimentos: RNAV 5 (rota) baseados em DME/DME e DME/DME/IRU; RNAV 1 (saídas/chegadas) igualmente sustentados por DME/DME/IRU quando possível; aproximações convencionais (VOR/DME e ILS); SIDs OMNI/convencionais;
- Vigilância ATS (incluindo vetoração radar tática onde a geometria DME/DME não for suficiente);
- Treinamento recorrente de ATCOs e pilotos para a transição rápida.
O plano determina que a MON cubra rotas principais e TMAs críticas, garantindo redundância e resiliência de modo a preservar segurança e capacidade — ainda que, por prudência, haja redução do fluxo e ampliação de separações quando a acurácia de navegação cair pela ausência de GNSS.
Componentes técnicos: RNAV sem GNSS, DME/DME e DME/DME/IRU
Para aeronaves sem sensor GNSS ou em caso de perda de GNSS, o FMS pode calcular a posição cruzando distâncias (slant range) de duas ou mais estações DME — idealmente com ângulos de cruzamento próximos de 90° e com pares atualizados dinamicamente pelo banco de dados do FMS. Em geometrias ótimas, a precisão do posicionamento DME/DME pode chegar a 0,1 NM; lacunas de cobertura podem ser complementadas pelo sistema inercial (IRU), compondo a solução DME/DME/IRU exigida para certos perfis RNAV 1 e RNAV 5.
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Em termos de tolerâncias operacionais, a CIRCEA 121-10 explicita:
- RNAV 1: EPU/ANP ≤ 1 NM; RNAV 2: EPU/ANP ≤ 2 NM — durante todas as fases do voo avaliadas;
- DME: precisão de distância dentro de 0,2 NM, nível mínimo de sinal de –80 dBm (aceitável levemente menor se a distância permanecer dentro da tolerância), identificação clara e sem ruído até os limites de cobertura;
- Avaliações de interferência de frequência, cone de bloqueio, órbita de 10 NM, e checagens com equipamento reserva.
Esses parâmetros são basilares para que SID/STAR/Aerovias RNAV apoiadas por DME/DME e DME/DME/IRU sejam homologadas e mantidas com segurança.

Como a MON se aplica nas fases do voo
Decolagem e subida (SIDs)
A MON prioriza SIDs OMNI e convencionais (VOR/DME) ou RNAV 1 apoiadas por DME/DME/DME/DME/IRU. Em áreas sem geometria adequada de DME, usa-se vetoração radar tática até conectar a aeronave a um segmento seguro de rota ou à aproximação na volta. A inspeção e validação dessas SIDs consideram gradientes de subida, altitudes publicadas, flyability, interpretação da carta e comunicações, além da cobertura/nível de sinal dos DME críticos em perfis mínimos.
Rota (RNAV 5)
Em rota, a MON prevê RNAV 5 com DME/DME ou DME/DME/IRU. A avaliação de cobertura pode ser feita por software de modelagem eletromagnética (EMACS), evitando voos de inspeção quando a simulação comprova o nível e volume de serviço — ou, na ausência dessa ferramenta, por inspeção em voo sobre o nível mínimo da aerovia. Onde o volume DME não for suficiente, o IRU fecha lacunas de curto prazo.
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Chegada e aproximação (STARs e IACs)
As STARs podem ser convencionais (VOR/DME) ou RNAV 1 com DME/DME/IRU. Para a aproximação, os procedimentos ILS e VOR/DME ganham protagonismo na lógica MON, garantindo caminho de descida e referência lateral confiáveis sem depender de GNSS. Veja como ler uma carta IAC. O segmento de aproximação perdida pode ser RNAV 1 (com DME/DME/IRU) ou apoiado por vetoração radar conforme a TMA.
Quem faz o quê: papéis e coordenação
O PCA 100-5-2025 define responsabilidades:
- SDOP/DECEA: coordenação geral, supervisão da implementação, avaliação de necessidades operacionais e aprovação de auxílios;
- SDTE: avaliar, implantar e manter os auxílios (DME, VOR, ILS) e providenciar monitoramento remoto;
- Órgãos Regionais e PSNA: ajustar e publicar procedimentos (em coordenação com o ICA), verificar necessidade de novos auxílios, treinar ATCOs e atualizar modelos operacionais;
- CGNA: gerenciamento de fluxo em contingência, atualização dos planos por FIR, coordenação de NOTAM;
- ICA: elaboração e publicação de cartas SID/STAR/IAC e Rotas RNAV 5 (com sensores DME/DME/DME/DME/IRU) no AIP-Brasil.
Há ainda cronogramas (Ex.: TMAs com prazos escalonados até dez/2026) para que a MON esteja totalmente implementada, com responsabilidades distribuídas por órgãos e marcos intermediários de homologação e publicação.
Procedimentos operacionais quando o GNSS falhar
Quando um ACC/APP identificar ou receber reporte de degradação/indisponibilidade de GNSS, a MON é ativada e o monitoramento dos auxílios terrestres é intensificado. Separações podem ser aumentadas, e vetoração radar passa a ser empregada onde a geometria DME/DME não sustenta a acurácia RNAV 1/5 exigida. O CGNA coordena NOTAMs (com exemplos padronizados no Anexo), e fluxos podem ser readequados — isto é, priorização de voos, atrasos programados, mudanças de rotas — para manter segurança e eficiência.
Para as companhias aéreas, o Plano recomenda capacidade mínima para ILS, VOR/DME e DME/DME/IRU; e orienta que as MEL contemplem esses requisitos de contingência, assegurando continuidade operacional mesmo sem GNSS.
Inspeção em voo: como o Brasil garante que DME/DME sustenta RNAV 1/5
A CIRCEA 121-10 padroniza parâmetros, critérios e procedimentos do GEIV para homologar e acompanhar rotas e procedimentos RNAV apoiados por DME/DME e DME/DME/IRU. Alguns pontos-chave:
- Configuração do FMS na inspeção: no PF, somente DME habilitado (e IRU quando aplicável); o PM permanece com todas as fontes para comparação. Eventos de EPU fora da tolerância são marcados e correlacionados a nível de sinal e cobertura dos DME.
- Cobertura dos DME críticos (definidos em carta pelo ICA): verificação nos perfis mínimos de SID/STAR/aerovia, com atenção à MRA, MEA e MOCA nos segmentos publicados.
- Ferramentas de análise: o EMACS modela nível de sinal e visada; quando o volume de serviço não atende, avalia-se volume estendido, uso de DME/DME/IRU ou, se imprescindível, segmentação com requisito GNSS.
- Tolerâncias e níveis: EPU/ANP conforme RNAV 1/2, –80 dBm como referência mínima de sinal, precisão de 0,2 NM para distância, identificação clara e inteligível até limites de cobertura, controle de interferência e verificação do cone de bloqueio.
- Condições meteorológicas para inspeção: vento sustentado/rajadas acima de 20 kt podem comprometer dados, devendo a inspeção ser adiada para garantir qualidade das medições.
Impacto prático: você não publica (ou mantém) RNAV 1 de chegada apoiada por DME/DME se a cobertura mínima e a acurácia não forem comprovadas no perfil mínimo. O mesmo vale para SID e RNAV 5 em rota. Isso confere confiabilidade à MON como “plano B” real — e não apenas conceitual.
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DME/DME na prática: pontos de atenção para operadores e tripulações
- Geometria é tudo: quanto mais estações DME úteis e bem distribuídas, melhor a acurácia. Em TMAs com morfologia complexa, vales e obstáculos podem impactar visada e nível de sinal.
- Pares ótimos e atualização: o FMS escolhe pares de DME dinamicamente. Em áreas limítrofes, o IRU ajuda a “costurar” lacunas curtas de cobertura (DME/DME/IRU).
- Procedimentos com DME crítico: quando a carta apontar DME CRÍTICO, ele precisa estar operacional durante a operação e a inspeção; se falhar numa inspeção, suspende-se o procedimento para reavaliação.
- Interferências: ruído, emissões próximas, reflexões e pulsos falsos de resposta são investigados com analisador de espectro e osciloscópio; relatos de usuário podem disparar inspeção especial.
- Limites operacionais: EPU acima do especificado para RNAV 1/2 é evento; tripulação deve monitorar e notificar. Em operações MON, espere separações maiores e fluxo reduzido para compensar a acurácia mais baixa sem GNSS.
Vetoração radar tática: onde DME/DME não fecha a conta
O Plano MON prevê vetoração radar em setores com cobertura DME insuficiente. Isso dá robustez ao sistema, mas tem custo de capacidade: mais workload para o ATCO, separações maiores e possível atraso na cadência de chegadas/saídas. O CGNA ajusta o gerenciamento de fluxo de acordo com a disponibilidade de auxílios e a carga dos setores, publicando NOTAMs para orientar operadores.
NOTAMs em cenário de interferência GNSS: como ficam as publicações
O PCA 100-5-2025 traz modelos de NOTAM para:
- Aviso geral de possível interferência em aeródromo/área;
- Suspensão de procedimento RNP específico (ex.: IAP RNP RWY XX) por interferência GNSS;
- Fechamento de trecho de rota entre FIRs por interrupção de sinal.
Esses formatos padronizam a comunicação com operadores e tripulações, acelerando a percepção situacional e a tomada de decisão.
Treinamento e cultura operacional: o elo que fecha a MON
A resiliência do sistema não é só hardware/software — é gente e processo. O Plano exige treinamento recorrente para ATCOs (incluindo laboratório de simulação/PAELS) e gerentes de fluxo, com exercícios de contingência simulando cenários de perda de GNSS. Para companhias aéreas, além da MEL, é essencial treinar tripulações para:
- Transição rápida de RNP/RNAV com GNSS para procedimentos MON;
- Briefings claros sobre DME críticos, minimais, MRA/MEA/MOCA e tempos/combustível em perfis convencionais;
- Uso do FMS com somente DME (e IRU quando aplicável), monitorando EPU/ANP e mensagens de integridade;
- Comunicações com ATC sobre degradações percebidas, performance e necessidade de vetoração.
Checklist prático para o operador (CNS/ATM, engenharia e manutenção)
- Cobertura DME/DME: confirme níveis de sinal e geometria; priorize pares próximos de 90° onde possível.
- Inventário de auxílios: mantenha DME, VOR/DME e ILS com monitoramento remoto e planos de contingência de energia.
- Publicações: garanta que DME críticos e sensores apoiadores estejam corretamente publicados (AIP-Brasil) para uso pelo banco de dados FMS.
- Ciclo de inspeção: siga a CIRCEA 121-10 para homologação/manutenção, inclusive interferência, cone de bloqueio, órbita, precisão, –80 dBm e 0,2 NM.
- Coordenação CGNA/ACC/APP: alinhe planos por FIR, setorização, separações e NOTAMs para escalonar capacidade conforme necessidade.
Impacto para o planejamento de voo e despacho operacional
- Alternados e contingências: em cenário MON, prefira aeródromos com IAC ILS/VOR-DME robustos e SIDs/STARs compatíveis com DME/DME/IRU. Verifique NOTAMs de GNSS e a disponibilidade de DME críticos no período.
- Perfis de combustível: antecipe vetorações, rotas mais longas e holdings por redução de capacidade; avalie combustível extra.
- Equipamentos: confirme status de IRU, DME, ILS/VOR, rádios e fontes de backup; cheque a MEL com foco MON.
- Desempenho: revise gradientes de subida (SIDs) e restrições (STARs) considerando perfis convencionais.
Mitos comuns sobre MON (e a realidade)
“Sem GPS, pousos de precisão ficam inviáveis.”
Errado. A MON assegura aproximações ILS e VOR/DME como espinha dorsal para pousos com guia vertical/ lateral confiável sem GNSS.
“RNAV só existe com GNSS.”
Não. RNAV é um método; pode ser sustentado por DME/DME e DME/DME/IRU com acurácia suficiente para RNAV 1 e RNAV 5, desde que cobertura/tolerâncias sejam atendidas.
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“DME/DME é sempre impreciso.”
Depende da geometria e qualidade do sinal — em áreas ótimas, a precisão pode atingir 0,1 NM.
Linha do tempo e maturidade da MON
O Plano estabelece que a implementação completa da MON ocorra até 31 de dezembro de 2026, com marcos intermediários por TMA (ex.: BH/BR, CT/PA, SV/RE, SP, RJ), além de publicações de Rotas RNAV 5 e procedimentos conforme análises de cobertura e necessidades operacionais. Isso exige trabalho contínuo de engenharia, operações, inspeções e publicações (ICA).
O que cada público deve fazer
Companhias aéreas e operadores
- Revisar MEL para ILS/VOR/DME/DME/IRU;
- Treinar tripulações para transição GNSS → MON;
- Atualizar pacotes de briefing de rota/terminal com DME críticos e exigências RNAV 1/5;
- Simular cenários de jamming/spoofing, incluindo decisões de combustível e gestão de atrasos.
Pilotos
- Monitorar EPU/ANP e mensagens de integridade;
- Conhecer os limites e sensores do seu FMS (DME-only, DME/DME/IRU);
- Estar pronto para vetoração radar e procedimentos convencionais.
ATCOs e gestão de fluxo
- Praticar cenários de perda de GNSS (PAELS), aplicando separações e setorização compatíveis;
- Coordenar com o CGNA a emissão de NOTAMs e a readequação de fluxo.
Engenharia e manutenção (CNS/ATM)
- Garantir níveis de serviço dos DME/VOR/ILS;
- Executar inspeções conforme CIRCEA 121-10;
- Atualizar análises de cobertura (EMACS) e registros de interferência.
Conclusão: MON não é “voltar ao passado” — é avançar com resiliência
A navegação aérea moderna continuará PBN-centrada. Mas sistemas complexos exigem planos de reversão robustos. A MON brasileira não é um “retrocesso”; é uma camada de resiliência que combina tecnologia terrestre madura (DME/DME, VOR/DME, ILS) com procedimentos RNAV bem calibrados e coordenação operacional para enfrentar interferências GNSS e eventos espaciais. Em outras palavras: manter segurança, previsibilidade e continuidade mesmo quando GNSS/GPS falha — sem improviso.
Para o piloto que decola amanhã, para a empresa que planeja sua malha e para o gestor do espaço aéreo, a mensagem é direta: entenda a MON, treine sua aplicação e ajuste seus processos. Isso garante que GNSS continue sendo um multiplicador de eficiência, e não um ponto único de falha.
1. O que é a MON (Minimum Operational Network) e por que ela é importante para a aviação no Brasil?
A MON é uma rede de auxílios terrestres, como DME/DME, DME/DME/IRU, VOR/DME e ILS, que garante a continuidade das operações aéreas quando o GNSS (como o GPS) está indisponível ou comprometido. Ela é fundamental para manter a segurança e a eficiência operacional sem depender exclusivamente do GNSS.
2. Quais são os principais auxílios terrestres que fazem parte da MON no Brasil?
A MON no Brasil utiliza auxílios como DME/DME, DME/DME/IRU, VOR/DME e ILS, que são usados para suportar procedimentos RNAV e convencionais em rotas, chegadas, saídas e aproximações quando o GNSS não está disponível.
Quando o GNSS falha, o sistema de navegação DME/DME usa a distância entre duas ou mais estações DME para calcular a posição da aeronave. A precisão depende da geometria das estações e pode ser complementada por sistemas inerciais (IRU) para maior confiabilidade.
4. O que é RNAV e como ele pode ser utilizado sem GNSS?
RNAV (Navegação Baseada em Desempenho) é um método de navegação que pode ser sustentado por DME/DME e DME/DME/IRU, mesmo sem GNSS. Isso permite que aeronaves realizem rotas e aproximações de forma precisa, utilizando a posição obtida pelas distâncias das estações DME.
5. Quais são os desafios na implementação da MON no Brasil?
A implementação da MON no Brasil enfrenta desafios como garantir a cobertura adequada de DME/DME em áreas críticas, manter os sistemas de auxílios terrestres operacionais e realizar inspeções e treinamentos contínuos para garantir a eficácia da rede.
6. Como a MON afeta as operações de voo no Brasil?
A MON garante a continuidade das operações aéreas em caso de falha do GNSS, mas pode levar a ajustes nas separações de voo e nos fluxos de tráfego aéreo, além de exigir maior uso de vetoração radar e procedimentos convencionais durante as fases de decolagem, subida e aproximação.
7. Quais são as responsabilidades dos pilotos em cenários de falha do GNSS?
Os pilotos devem monitorar a integridade do sistema FMS, estar preparados para transições rápidas para procedimentos MON, compreender os limites dos sensores DME/DME/IRU e comunicar-se com o ATC sobre qualquer degradação percebida na navegação.
8. Como o Brasil garante que os procedimentos RNAV DME/DME são seguros e eficientes?
A segurança dos procedimentos RNAV DME/DME é garantida através de inspeções em voo, onde são verificadas as coberturas DME críticas, a precisão da distância e a integridade do sinal, conforme especificado na CIRCEA 121-10. Esses procedimentos são homologados e mantidos com rigor.
9. O que acontece quando há uma falha do GNSS durante o voo?
Quando ocorre uma falha do GNSS, a MON é ativada e o ATC intensifica o monitoramento dos auxílios terrestres. A separação entre aeronaves pode ser aumentada, e a vetoração radar pode ser utilizada, dependendo da geometria DME/DME.
A MON adiciona uma camada de resiliência ao sistema de navegação aérea, permitindo que a aviação continue segura e eficiente, mesmo quando o GNSS falha. Ela combina tecnologia comprovada de auxílios terrestres com procedimentos modernos de navegação, garantindo que a segurança não dependa de uma única fonte de posicionamento.

