Conteúdo
- 1 Introdução
- 2 Por que existem várias velocidades diferentes?
- 3 Velocidades definidas pela FAR para aeronaves civis
- 3.1 1 – Velocidade Máxima dos Pneus (Vtire)
- 3.2 2 – Velocidade de Máxima Energia de Frenagem (Vmbe)
- 3.3 3 – Velocidade Mínima de Controle no Solo (Vmcg)
- 3.4 4 – Velocidade de Falha do Motor (Vef)
- 3.5 5 – Velocidade Mínima de Controle no Ar (Vmca)
- 3.6 6 – Velocidade de decisão (V1)
- 3.7 7 – Velocidade de Rotação (Vr)
- 3.8 8 – Velocidade Mínima de Decolagem (Vmu)
- 3.9 9 – Velocidade de Decolagem (Vlof)
- 3.10 10 – Velocidade Mínima de Segurança na Decolagem (V2min)
- 3.11 11 – Velocidade de Segurança na Decolagem (V2)
- 4 Resumo para não esquecer
- 5 FAQ – Perguntas Frequentes sobre Velocidade de Decolagem
- 5.1 1. O que é velocidade de decolagem?
- 5.2 2. A velocidade de decolagem é sempre a mesma?
- 5.3 3. Qual é a diferença entre Vr e Vlof?
- 5.4 4. Por que a V1 é tão importante?
- 5.5 5. A velocidade de decolagem muda com vento contra?
- 5.6 6. Existe velocidade de decolagem para helicópteros?
- 5.7 7. Quem define essas velocidades?
- 5.8 8. É possível decolar abaixo da velocidade recomendada?
Introdução
Quando falamos de decolagem, a primeira imagem que vem na cabeça é aquele momento emocionante em que o avião acelera, levanta o nariz e… pronto, estamos no ar!
Mas, por trás dessa cena que parece simples, existe um universo de números, cálculos e parâmetros de segurança que os pilotos seguem à risca. E entre esses parâmetros, um dos mais importantes é a velocidade de decolagem e as outras velocidades associadas a ela.
Essas velocidades não são escolhidas “no olho” — elas são cuidadosamente definidas de acordo com normas e testes.
O objetivo?
Garantir que, mesmo diante de imprevistos, o voo seja seguro. Para aeronaves civis, as regras geralmente seguem as diretrizes da FAR (Federal Aviation Regulations) e da ANAC, e é justamente sobre essas velocidades que vamos falar agora.

Por que existem várias velocidades diferentes?
Pode parecer estranho, mas na decolagem não existe só “uma” velocidade a ser considerada. São várias — cada uma com seu significado e importância. Elas funcionam como “pontos de referência” para o piloto saber exatamente o que fazer em cada fase da corrida na pista.
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Imagine que a decolagem é como um jogo de tabuleiro: cada velocidade é uma casa especial que muda as regras do que o piloto pode ou não fazer.
Vamos ver, de forma mais descontraída, quais são essas velocidades.
Abaixo, vamos detalhar uma por uma.
1 – Velocidade Máxima dos Pneus (Vtire)
Essa é bem fácil de entender: cada pneu do avião tem um limite de velocidade que ele aguenta antes de correr o risco de danificar. Essa é a Vtire.
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Se o avião passar dessa velocidade antes de decolar, o risco de problemas no pneu aumenta muito. É como um carro: se você colocar pneus comuns e tentar correr como um carro de corrida, não vai dar certo.
2 – Velocidade de Máxima Energia de Frenagem (Vmbe)
Essa é a velocidade máxima em que o avião ainda consegue frear totalmente sem “cozinhar” o sistema de freios.
Pense nos freios como panelas: eles aguentam um certo calor. Se passar do limite, a coisa esquenta demais e pode comprometer a segurança.
3 – Velocidade Mínima de Controle no Solo (Vmcg)
Aqui já começamos a entrar em detalhes mais técnicos. A Vmcg é a velocidade mínima em que, mesmo se o motor principal falhar, o piloto ainda consegue manter o controle usando só o leme, sem precisar usar freios ou direção no trem de pouso.
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Isso é testado com os outros motores na potência máxima de decolagem.
4 – Velocidade de Falha do Motor (Vef)
A Vef é a velocidade na qual se considera que o motor principal “resolve” falhar durante a corrida de decolagem.
Ela não pode ser menor que a Vmcg. Essa velocidade é importante porque serve de base para calcular outros parâmetros.
5 – Velocidade Mínima de Controle no Ar (Vmca)
A Vmca é a menor velocidade em que, se o motor principal falhar no ar, ainda dá para controlar o avião e manter a trajetória de voo.
Existe um limite de inclinação (5º) para o motor que está funcionando.
Também existe uma relação com a velocidade de estol (perda de sustentação): a Vmca não pode passar de 1,2 vezes a Vs.
6 – Velocidade de decisão (V1)
Essa aqui costuma ser chamada de “velocidade de decisão”, mas esse termo não é 100% correto.
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A V1 é o ponto-limite para decidir parar ou continuar a decolagem. Se o piloto optar por abortar, é a última chance de acionar o primeiro sistema de frenagem.
No cockpit, o copiloto normalmente faz o “callout” — ou seja, anuncia “V1” — e a partir daí o piloto que está controlando tira a mão das manetes para focar no comando de voo.
Ah, e a V1 nunca pode ser maior que a Vmbe.
7 – Velocidade de Rotação (Vr)
A Vr é o momento mágico: o piloto puxa o manche ou sidestick, e o avião levanta o nariz.
Nessa velocidade, todas as rodas ainda estão tocando o solo, mas já existe sustentação suficiente para iniciar a subida.
Ela deve ser alta o bastante para permitir que o avião atinja a V2 depois de passar o obstáculo de referência.
8 – Velocidade Mínima de Decolagem (Vmu)
Essa é a menor velocidade em que o avião consegue sair do chão sem correr riscos sérios, como bater a cauda no solo ou tocar alguma parte da asa.
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É obtida em testes de voo, mas não é usada diretamente na operação diária.
9 – Velocidade de Decolagem (Vlof)
A Vlof é o instante exato em que as rodas principais deixam o solo. Ela está muito ligada à Vr e, claro, não pode ultrapassar a Vtire.
Também não é uma velocidade usada diretamente no cálculo do piloto, mas faz parte do conjunto de informações.
10 – Velocidade Mínima de Segurança na Decolagem (V2min)
A V2min é como um piso: a V2 nunca pode ser menor do que isso.
Ela varia conforme o tipo de aeronave e motor. Por exemplo, aviões turboélice com poucos motores têm um cálculo, enquanto turbojatos mais potentes têm outro.
11 – Velocidade de Segurança na Decolagem (V2)
Por fim, temos a V2, que é a velocidade mínima que o avião precisa ter antes de passar 35 pés de altura sobre a pista, considerando que o motor principal falhou.
Ela garante que o avião tenha capacidade de subida segura e obedece limites como nunca ser menor que a V2min, a Vlof ou a Vr mais o incremento da rotação até os 35 pés.
Resumo para não esquecer

- Vtire: limite dos pneus.
- Vmbe: limite de frenagem segura.
- Vmcg: controle no solo com falha de motor.
- Vef: velocidade de falha de motor.
- Vmca: controle no ar com falha de motor.
- V1: limite para decidir parar ou continuar.
- Vr: começa a levantar o nariz.
- Vmu: mínima para sair do solo.
- Vlof: rodas deixam o chão.
- V2min: menor segurança mínima.
- V2: segurança efetiva de subida.
| Sigla | Nome Completo | Definição Simplificada | Aplicação Prática |
| Vtire | Velocidade Máxima dos Pneus | Limite de velocidade que os pneus suportam. | Evitar ultrapassar para não danificar os pneus. |
| Vmbe | Velocidade de Máxima Energia de Frenagem | Velocidade máxima para frear sem sobrecarregar os freios. | Garantir frenagem eficiente e segura. |
| Vmcg | Velocidade Mínima de Controle no Solo | Menor velocidade no solo para manter controle com falha do motor crítico. | Controle direcional no solo sem ajuda extra. |
| Vef | Velocidade de Falha do Motor | Velocidade assumida para falha do motor crítico na corrida. | Base para cálculos de segurança. |
| Vmca | Velocidade Mínima de Controle no Ar | Menor velocidade no ar para manter controle com falha do motor. | Controle direcional no ar mesmo com um motor a menos. |
| V1 | Velocidade de Decisão | Ponto-limite para decidir parar ou continuar a decolagem. | Definir se aborta ou continua a decolagem. |
| Vr | Velocidade de Rotação | Momento em que o nariz do avião começa a subir. | Garantir sustentação inicial segura. |
| Vmu | Velocidade Mínima de Decolagem | Menor velocidade segura para sair do chão. | Evitar riscos como bater a cauda no solo. |
| Vlof | Velocidade de Decolagem | Velocidade em que as rodas principais deixam o solo. | Determinar o ponto real de saída do solo. |
| V2min | Velocidade Mínima de Segurança na Decolagem | Mínimo que a V2 pode ser para garantir segurança. | Definir limites mínimos para a V2. |
| V2 | Velocidade de Segurança na Decolagem | Velocidade mínima antes de passar 35 pés, garantindo subida segura. | Garantir subida segura mesmo com falha do motor. |
Todas essas velocidades giram em torno do conceito central: garantir que a velocidade de decolagem e as etapas associadas sejam calculadas de forma a manter o voo seguro, mesmo que algo dê errado.
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FAQ – Perguntas Frequentes sobre Velocidade de Decolagem
1. O que é velocidade de decolagem?
É a velocidade mínima segura na qual o avião pode deixar o solo e iniciar a subida, levando em conta a configuração da aeronave, peso e condições da pista.
2. A velocidade de decolagem é sempre a mesma?
Não. Ela varia conforme o peso do avião, o tipo de aeronave, a altitude da pista e as condições climáticas.
3. Qual é a diferença entre Vr e Vlof?
A Vr é quando o piloto começa a levantar o nariz; a Vlof é quando as rodas realmente deixam o chão.
4. Por que a V1 é tão importante?
Porque é o ponto-limite para decidir se a decolagem será abortada ou continuada. Passou da V1, a decolagem segue mesmo que algo dê errado.
5. A velocidade de decolagem muda com vento contra?
Sim, vento contra ajuda a reduzir a velocidade necessária no solo para decolar, já que aumenta a sustentação.
6. Existe velocidade de decolagem para helicópteros?
Helicópteros funcionam de forma diferente, mas alguns procedimentos de decolagem têm velocidades de referência para segurança.
7. Quem define essas velocidades?
São definidas pelo fabricante do avião seguindo normas internacionais, como as FAR nos EUA ou RBAC no Brasil.
8. É possível decolar abaixo da velocidade recomendada?
Não é seguro. Decolar abaixo da velocidade mínima pode resultar em perda de controle ou falta de sustentação.


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